Comunicação com a Família

Comunicação diante de uma doença avançada

Comunicação diante de uma doença avançada

Conversar sobre uma doença avançada exige preparo, antes de informar é importante entender o que aquela paciente e sua família já perceberam, o que compreenderam até ali e o que temem ouvir. Algumas pessoas precisam de detalhes, outras de tempo. Algumas fazem muitas perguntas, outras permanecem em silêncio. Não existe uma única forma certa de receber uma notícia difícil. Neste contexto, a conversa precisa acontecer em um ambiente reservado, sem pressa e com lugar de fala para que todos possam respirar, se expressar, ou não. 

Ao explicar a situação, clareza é mais importante do que excesso de termos técnicos. É preciso dizer a verdade com delicadeza, mostrar o que está acontecendo, o que pode acontecer adiante e quais são os limites dos tratamentos disponíveis. No entanto, jamais retirar a esperança, mas sempre ajudando a família a compreender em que tipo de esperança é possível se apoiar agora. Pois, em alguns momentos a esperança será de melhora, em outros será de conforto, de menos dor, de mais tempo em casa, de uma despedida tranquila ou de decisões mais alinhadas à história daquela pessoa. 

Também é essencial acolher as emoções que aparecem. Choro, silêncio, raiva, negação e confusão não precisam ser corrigidos imediatamente, pois, muitas vezes, precisam apenas de espaço. Depois da conversa, a família precisa sair com um caminho possível, sabendo quais serão os próximos passos, quem procurar diante de uma piora e quais decisões podem ser construídas com calma. Uma boa conversa não resolve toda a dor, mas pode transformar medo em compreensão. 



Referência bibliográfica 

BAILE, W. F. et al. SPIKES. A six-step protocol for delivering bad news: application to the patient with cancer. The Oncologist, v. 5, n. 4, p. 302-311, 2000. DOI: 10.1634/theoncologist.5-4-302.